Terceiro webinário da série ‘Reconstruindo o Brasil a partir de Darcy Ribeiro’ abordou o racismo

Evento online teve participação de Joice Berth sobre o tema ‘Ser negro no Brasil’, além de batalhas de rap e slam

A Prefeitura de Maricá, a Codemar (Companhia de Desenvolvimento de Maricá) e a Fundação Darcy Ribeiro apresentaram a 3ª edição do webinário “Reconstruindo o Brasil a partir de Darcy Ribeiro”, na noite de terça-feira (31/01). A escritora, arquiteta e urbanista Joice Berth foi a convidada que falou sobre o tema “Ser negro no Brasil”. Joice é pesquisadora da dinâmica de raça e gênero nos espaços urbanos. O webinário é parte de uma série de dez em homenagem ao centenário de Darcy Ribeiro, educador que escolheu Maricá como lar. A curadoria é de Heloísa Buarque de Hollanda.

O evento foi apresentado, de Maricá, pela rapper e ativista Nega Gizza. Integrantes dos movimentos de poesia e rap Ruasia Maricá e Poesia na Rua fizeram batalhas de rap nos três intervalos da apresentação, sempre tendo como base para as rimas a fala da palestrante. No final, teve disputa de slam. Tudo pôde ser acompanhado pelo canal da Prefeitura de Maricá no YouTube (@prefeiturademarica1), onde segue disponível.

“Eu vejo muitas vezes pessoas mais jovens falando coisas que são interessantes e corretas sobre a questão da mulher, sobre a questão racial, que são coisas corretas, mas não são novidade. Nós tivemos esse legado que tem que ser o tempo inteiro resgatado e tem que ser demarcado como uma herança que a gente está desenvolvendo. A gente tem que dizer que está trazendo lá de Lélia (Gonzalez), lá de Virgínia Bicudo, de Paulo Freire, de Nilton Santos, de Darcy Ribeiro, dessa turma que deixou para a gente uma bola redondinha de pensamento que a gente tem que levar adiante”, iniciou Joice Berth.

A pensadora seguiu falando da importância da educação como ferramenta de formação plena, muito presente na obra de Darcy Ribeiro: “Nenhuma pessoa que faz um trabalho intelectual e não prioriza a educação, não tem a menor intenção de emancipar alguém, vocês podem ter absoluta certeza disso. Uma pessoa como Darcy, que defendeu a educação pública de qualidade estava defendendo a libertação das pessoas. Ele sabe que lá nos primórdios, lá no tempo colonial, nós (negros) não tivemos acesso à educação, como não tivemos acesso à terra, à saúde e uma série de coisas. O lugar de fala dele era reivindicar ‘olha, branquitude, nós somos herdeiros desse legado macabro e estamos fazendo cara de paisagem'”, disse Joice.

O webinário levantou questões junto aos jovens que participavam das batalhas de rap sobre o que fazer daqui para a frente, relembrando que uma referência nunca é um ponto de parada, mas um ponto de início, levando os participantes a pensar a partir do que Darcy Ribeiro construiu, e não apenas repetir o que ele disse.

“O que a gente vai fazer com as informações que a gente tem? O que a gente vai fazer com o que Darcy Ribeiro nos trouxe? A gente vai acomodar ou a gente vai redesenhar a luta antirracista pensando numa nova construção de país, numa utopia, que é o que esses pensadores como Darcy Ribeiro almejavam, com um novo pacto civilizatório, um novo modelo de sociedade que seja de fato igualitária, provedora de um desenvolvimento igual para brancos, negros, indígenas, mulheres, LGBTQIA+ e todas as representações sociais?” Concluiu Joice.

Formato consolidado

O webinário aconteceu em formato híbrido, com a palestrante em outra cidade e público presente em Maricá, com transmissão pelo YouTube.

“Foi muito bom. O formato híbrido foi o mesmo do anterior. Só que, no terceiro, esperávamos menos público presente, uma vez que o foco seria no público online. Mas, como foi na sede do Movimento Popular de Juventude (MPJ), teve grande participação, pois as batalhas são emocionantes e os participantes levaram seus admiradores. Faremos algumas adequações nos próximos, mas as temáticas serão sempre voltadas para a atualidade”, disse Rita Rosa, professora e colaboradora da Diretoria de Economia Criativa e Sustentável da Codemar.

Segundo Rita, a ideia de trazer a juventude para o evento foi de Gringo Cardia, que, juntamente com a curadora do evento, Heloísa Buarque de Hollanda, quer trabalhar com os jovens. Gringo é o responsável pela museografia do futuro Museu Casa Darcy Ribeiro e pelo Centro Cultural que está sendo erguido junto ao museu, com um espaço para os jovens voltado para gravação e apresentação de música, poesia, slam e outros.

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