A Prefeitura de Maricá, por meio da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), apresentou os resultados do Projeto Lagoa Viva.
Na quarta-feira, 6 de maio de 2026, o projeto realizou, no auditório do Biocentro, o evento Sentinelas da Lagoa: o que os organismos do fundo nos revelam?
O encontro reuniu as equipes do Biocentro e da Biofábrica para alinhar atividades e apresentar os resultados do projeto de recuperação da Lagoa de Maricá.
As apresentações foram conduzidas pelo coordenador-geral, professor Dr. José Antônio Baptista Neto, pelos coordenadores do Laboratório de Macrofauna, Dr. Renan Amorim, e pelo doutorando Joel Junior, coordenador do Laboratório de Nutrientes.
O evento contou com a participação de convidados externos e representantes das unidades envolvidas.
Iniciado em 2021, o projeto é uma parceria de pesquisa, desenvolvimento e inovação entre a UFF, a Codemar e a Prefeitura de Maricá. A iniciativa aplica tecnologia de biorremediação para degradar matéria orgânica, elevar os níveis de oxigênio e restabelecer o equilíbrio ecológico da lagoa.
Durante o evento, foram apresentados os avanços dos laboratórios do Biocentro, com análises físico-químicas e biológicas da água da lagoa e de alguns canais. Também foram realizadas a identificação de organismos bentônicos (bioindicadores) e análises por cromatografia.
A Biofábrica apresentou os resultados da produção de 800 mil litros de insumo biológico entre abril de 2024 e fevereiro de 2025.
Resultados apresentados
Biocentro e laboratórios
A equipe do Biocentro, coordenada por Débora Dias, apresentou as atividades dos laboratórios. O espaço realiza triagem de amostras, treinamentos, ações de extensão, análise de organismos bentônicos e cromatografia para monitoramento da qualidade da água e do ecossistema da lagoa.
O espaço também desenvolve projetos de educação ambiental para escolas.
Micro-ETE Itaipuaçu
A microestação de tratamento de esgoto trata cerca de 15 mil litros por dia, atendendo aproximadamente 200 casas. Com a aplicação do insumo biológico, a remoção de matéria orgânica aumentou em 20%. A água tratada pode ser reutilizada na irrigação de áreas verdes.
A micro-ETE também pode funcionar em conjunto com uma elevatória. A proposta é descentralizar o saneamento, realizar o tratamento localmente e reduzir a sobrecarga das estações maiores.
Ciamar e Fábrica de Ração
O Ciamar apresentou os resultados da produção de tilápias com ração fabricada localmente. O uso da ração produzida no Ciamar aumentou o ganho de peso em 55,6% e reduziu o fator de conversão alimentar de 1,9 kg para 1,15 kg por peixe, em comparação aos peixes alimentados com ração comercial.
O complexo também está em processo de repovoamento de peixes e camarões, com foco em genética resistente e produção sustentável.
Para o coordenador-geral, professor José Antônio, o projeto representa um caminho estratégico para a recuperação da lagoa.
“Agora estamos retomando a metodologia que funcionou, e ela passa a ser utilizada daqui para frente. Vimos que dá resultado, então os próximos passos são continuar com esse modelo de trabalho. A relação entre a UFF e a Codemar é fundamental. Como parceira em um projeto de PDI, a Codemar precisa estar extremamente envolvida, porque estamos falando do desenvolvimento de métodos, tecnologia e ensino que vamos construir nos próximos anos neste campus.”
O Lagoa Viva segue em expansão, com o objetivo de consolidar Maricá como referência em pesquisa aplicada, recuperação de ecossistemas e gestão integrada de recursos hídricos.



