Equipe especializada atua diariamente no monitoramento e manejo de animais na área aeroportuária, utilizando técnicas não letais e medidas de prevenção para reduzir riscos às operações aéreas
Neste 3 de setembro, Dia do Biólogo, o Aeroporto de Maricá destaca um trabalho que acontece diariamente longe dos olhos da maioria dos passageiros, mas que tem papel fundamental para a segurança das operações: o monitoramento e o manejo da fauna presente no ambiente aeroportuário.
Antes mesmo de uma aeronave decolar, uma série de ações é realizada em terra para garantir que a pista e suas proximidades estejam seguras. Entre os profissionais envolvidos nesse trabalho estão os biólogos, responsáveis por identificar espécies, acompanhar seus hábitos e adotar estratégias para reduzir a presença de animais em áreas consideradas críticas para a aviação.
A aproximação de aves e outros animais das pistas pode representar risco de colisão com aeronaves. Esses episódios, conhecidos na aviação como bird strike, fazem do gerenciamento do risco da fauna uma atividade importante dentro da rotina operacional dos aeroportos.
No Aeroporto de Maricá, o trabalho é desenvolvido com base em conhecimento técnico, planejamento e respeito ao meio ambiente.

Monitoramento constante
Uma das principais atividades realizadas pela equipe é a identificação e o monitoramento das espécies que circulam pelo aeroporto e por seu entorno.
Os profissionais avaliam os hábitos dos animais, suas rotas de deslocamento, horários de maior ocorrência e possíveis fatores que possam atraí-los para as proximidades da pista. A partir dessas informações, são definidas estratégias específicas, já que diferentes espécies apresentam comportamentos distintos.
O acompanhamento contínuo permite que a equipe identifique mudanças na dinâmica da fauna e atue preventivamente para reduzir situações de risco.
As atividades são realizadas de acordo com os procedimentos técnicos e ambientais aplicáveis, conciliando duas prioridades: a proteção das operações aéreas e o cuidado com a vida animal.
Biologia como profissão e propósito
Além da responsabilidade técnica exercida dentro do aeroporto, a atuação dos profissionais também carrega histórias de identificação pessoal com a Biologia e com a preservação da vida.
Formada há sete anos, Bianca Rodrigues conta que a escolha pela profissão nasceu ainda na infância e se transformou em uma trajetória marcada pelo contato com diferentes ambientes, espécies e culturas brasileiras.
“Sou formada há sete anos e não me vejo fazendo outra coisa senão sendo bióloga. Sempre foi um sonho, desde criança, e me sinto realizada. O que mais gosto dentro da profissão é o contato com a natureza e a possibilidade de disseminar informações importantes por meio da educação ambiental. Já pude conhecer grande parte do Brasil, diferentes biomas, espécies e culturas por conta do meu trabalho, e considero isso um privilégio. A Biologia é uma área muito importante e ainda pouco valorizada, mas seguimos lutando pela conservação e pelo equilíbrio do meio ambiente”, afirma Bianca Rodrigues, bióloga do Aeroporto de Maricá.
Essa relação com a profissão também está presente na trajetória de José Carlos Perrenoud Filho, biólogo especialista em manejo e conservação da fauna silvestre e exótica. Formado há seis anos, ele dedica sua atuação profissional à redução dos impactos provocados pela expansão das atividades humanas sobre a fauna e o meio ambiente.
“Desde que me formei, atuo com a missão de mitigar os danos e as pressões que o meio ambiente e a fauna sofrem com o avanço da expansão antrópica. É uma profissão que exige conhecimento, responsabilidade e sensibilidade. Me sinto realizado em lutar por aqueles que não possuem voz”, destaca José Carlos Perrenoud Filho.
No ambiente aeroportuário, esse propósito se traduz em ações diárias de prevenção.
Técnicas de afugentamento não letal
Entre as ferramentas utilizadas está o afugentamento sonoro por meio de artefatos de estampido. Aplicados de maneira técnica e estratégica pelos profissionais, eles produzem um ruído destinado a afastar aves e outros animais das áreas operacionais.
A medida não tem como objetivo ferir ou eliminar os animais. O princípio é criar uma associação de desconforto com aquele espaço, estimulando a fauna a buscar locais mais seguros e afastados das operações aéreas.
Dessa forma, o gerenciamento contribui simultaneamente para diminuir o risco às aeronaves e evitar que os próprios animais sejam envolvidos em colisões.
Manejo também começa pelo ambiente
O trabalho dos biólogos não se limita ao momento em que um animal é identificado próximo à pista.
Outra frente importante é o manejo do habitat, com medidas destinadas a tornar o ambiente aeroportuário menos atrativo para determinadas espécies. Entre as ações estão o acompanhamento da vegetação e a identificação de fatores que possam oferecer alimento, abrigo ou condições favoráveis à permanência de animais.
A orientação para o correto gerenciamento de resíduos também integra esse processo, já que o acúmulo inadequado de materiais pode funcionar como fonte de alimento e aumentar a presença de fauna no entorno.
“O gerenciamento da fauna em um aeroporto exige observação constante, conhecimento técnico e capacidade de prever riscos. Nosso trabalho busca compreender a dinâmica das espécies que utilizam esse ambiente e agir de forma preventiva, sempre priorizando métodos que conciliam a segurança operacional com a proteção da fauna. No Dia do Biólogo, é importante mostrar que a nossa profissão também está diretamente ligada à segurança da aviação e à construção de uma relação mais equilibrada entre desenvolvimento e meio ambiente”, afirma José Carlos Perrenoud Filho, biólogo do Aeroporto de Maricá.




fotos tiradas pelo biólogo José
“Nosso trabalho é essencialmente preventivo. Acompanhamos o comportamento da fauna, identificamos os fatores que podem atrair os animais e definimos a melhor estratégia para cada situação. O objetivo é garantir a segurança das operações sem perder de vista a preservação ambiental e o bem-estar dos animais. É justamente nesse equilíbrio que a atuação do biólogo se torna tão importante dentro de um aeroporto”, destaca Bianca Rodrigues, bióloga do Aeroporto de Maricá.
Neste Dia do Biólogo, o Aeroporto de Maricá reconhece o trabalho dos profissionais que utilizam diariamente ciência, técnica e conhecimento sobre a vida para contribuir com uma aviação mais segura e um desenvolvimento ambientalmente responsável.
Uma atuação muitas vezes silenciosa, mas fundamental para que segurança de voo e preservação da fauna caminhem juntas.


