Equipe especializada realiza manejo de fauna no Aeroporto de Maricá

Objetivo é elaborar e implantar protocolos que ajudem a diminuir riscos de colisões de aeronaves com aves e outros animais

No meio ambiente, as aves desempenham papéis ecológicos importantes para a manutenção do equilíbrio do ecossistema. Apesar disso, em uma área aeroportuária, a presença dessas espécies pode causar danos graves e até provocar a queda de aeronaves. Em 2009, um Airbus com mais de 150 passageiros fez um pouso forçado no rio Hudson, em Nova York, depois de colidir com pássaros poucos minutos depois da decolagem – história que foi parar no cinema no filme Sully, com Tom Hanks. Com objetivo de diminuir esses riscos, o Aeroporto de Maricá (SBMI), administrado pela Codemar (Companhia de Desenvolvimento de Maricá), começou um trabalho específico de manejo de fauna, realizado, diariamente, por uma equipe especializada, atenta também à presença de capivaras, jacarés e cachorros domésticos.

“Diversas condições presentes no aeroporto e seu entorno podem favorecer a presença de fauna que, por sua vez, aumenta a probabilidade de sua interação com aeronaves. As colisões entre aves e aeronaves são as que mais representam risco à segurança da Aviação Civil. Para reduzir os riscos dessas colisões é necessário a execução de ações de manejo de fauna, implementação e monitoramento de medidas mitigadoras e preventivas com relação ao risco da fauna no aeroporto”, observa a diretora de Operações do Aeroporto de Maricá, Marta Magge.

O serviço de manejo de fauna do SBMI teve início em 2018, quando os biólogos Christiano Pinheiro e Edicarlos Pralon, membros do Instituto Senai de Tecnologia Química e Meio Ambiente, fizeram um estudo de fauna no local (Identificação do Perigo da Fauna – IPF). Nessa pesquisa, foram identificadas aproximadamente 135 espécies presentes no raio de 20 quilômetros do aeroporto, que abrange, além de Maricá, cidades vizinhas como Niterói, São Gonçalo, Saquarema e Itaboraí.

Entre as aves detectadas no estudo feito no Aeroporto de Maricá, estão a Tesourão, Urubu-de-cabeça-preta, Carcará e Biguá. Essas espécies, juntas, representam 66% de riscos de danos a aeronaves, segundo o Ranking Brasileiro de Severidade Relativa de Espécies de Fauna, publicado em 2016, pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

No artigo Ranking de Severidade Relativa das Espécies de Fauna na Aviação Brasileira, feito pelo biólogo Weber Galvão Novaes, publicado neste ano, mostra o Quero-quero em primeiro lugar, com 3.231 colisões (espécie não comum na região do Aeroporto de Maricá); o Carcará em segundo, com 1.186 números de colisões reportados; Urubu e Urubu-de-cabeça-preta, em terceiro e quarto lugares, com 653 e 403 números de colisões reportados, respectivamente.

Segundo coordenador de Sistema de Gerenciamento de Segurança Operacional (SGSO) do Aeroporto de Maricá, Frederico Ferreira, a partir desse estudo, finalizado em 2021, a equipe realizou ações para atenuar o aparecimento dessas espécies na área do aeroporto, enquanto não começava o trabalho diário dos biólogos no local.

“Aqui, temos uma dificuldade um pouco maior do que em outros aeroportos, devido às características do lugar, que é cercado por rios e lagoas que atraem a fauna. Os animais frequentam ambientes onde têm oferta de abrigo, comida e água. Se tiver as três coisas, estarão presentes. Por isso, antes da chegada da equipe especializada para realizar o trabalho diariamente, já estávamos efetuando algumas medidas como o corte de grama da área, a limpeza do córrego, retirada das carcaças de animais mortos e monitoramento. Quando necessário, afugentamos os animais, ou seja, a nossa equipe espantava os bichos com o veículo de Posto de Coordenação Móvel (PCM) para garantir a segurança dos voos no aeroporto”, pontua Frederico.

Prevenção de acidentes e cuidado com os animais

De acordo com o biólogo mestre em ecologia e evolução Christiano Pinheiro, um dos responsáveis pelo estudo e que faz parte da equipe atual de manejo dessas espécies, o levantamento, de modo geral, foca muito nas aves, pois elas são as maiores responsáveis pelos acidentes.

“Cerca de 96% dos acidentes aéreos acontecem em função da colisão com aves, os outros 4% são devido a outros grupos faunísticos, que nós também temos no Aeroporto de Maricá.  A capivara, presente aqui, pode causar um grande acidente aéreo se ela estiver na pista. Então, entre as medidas que estamos estudando propor para serem implementadas de forma mais rápida está a colocação de uma cerca que não atrapalha a aviação, mas que seja efetiva impedindo o acesso desses roedores (o maior roedor do mundo). Além disso, também temos no SBMI presença de jacarés e cachorros domésticos”, explica Christiano.

O biólogo acrescenta que o trabalho de manejo de fauna realizado por especialistas e pesquisadores da área ajuda a garantir que o serviço seja feito da forma correta, pensando também na proteção e cuidado com as espécies. Para isso, o grupo trabalha técnicas de captura e manejo que são previstas nas normativas federais, estaduais, municipais e da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária (CNSPV).

“O manejo da fauna é, justamente, nós conseguirmos enxergar qual é o caminho correto que aquela espécie tem que ter. Em caso de captura, como temos que conduzir o animal para que não haja estresse. Para isso, nos baseamos na literatura científica mais atual. Nós também somos cientistas, trabalhamos com publicação, com pesquisa. Além disso, o Inea tem normas que identificam potenciais áreas de soltura desses animais. Caso haja necessidade, os animais passam por avaliação de um médico veterinário”, finaliza o biólogo.

Primeira etapa é criar plano de trabalho

O biólogo especialista em gerenciamento do risco da fauna e membro da equipe de manejo de fauna do Aeroporto de Maricá, Edicarlos Pralon, explica que, a partir de agora, o objetivo é criar propostas de soluções e realizá-las.

“Nessa primeira etapa, analisando como está o aeroporto neste momento, já que, mesmo tendo ações para amenizar os riscos, o local ficou um tempo sem gerenciamento de risco da fauna com um acompanhamento mais de perto. Então, estamos na fase de criação de um plano de manejo, apresenta para gestão aeroportuária, porque isso envolve custos, então, precisamos ver se é viável, antes de levar para o órgão ambiental. A partir desse momento de debate com a equipe de SGSO, nós construímos o documento mais denso a quatro mãos. Quando esta parte for finalizada, vamos apresentar a proposta ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea), para também definirmos o que eles autorizam no momento ou não. Depois disso, vamos colocar as ações em prática”, esclarece Edicarlos.

O biólogo explica que essa análise é importante, pois cada aeroporto tem uma realidade diferente. “Você pode passar 20 anos em um aeroporto gigante, a nível nacional, achar que sabe tudo e chegar aqui e ter que começar do zero. Por isso, propostas que servem pra um, não vão servir, necessariamente, para outro. Dessa forma, é necessário fazer o estudo e, a partir daí, criar protocolos específicos”, garante Edicarlos.

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